Janeiro 2003


Sou daquelas que não pertence a grupo algum, mas compartilho com diversos deles seus espaços. Melhor seria dizer, invado. Invado-lhes. Eu, ser solitário, não pertenço a grupo. Eu, ser ermo, não pertenço a algum lugar. Eu, ser, eu sou eu e mais ninguém. Pertenço-me. Um ser vil que ousa voar em busca. Eu não sei o que busco; eu não busco nada. Almejo a compreensão quando o entendimento não é possível. Compreendes-me? És capaz de me deixar entrar? Acolherás minha alma, esta que vive uma fuga acelerada por montes que nunca vi. Onde estou? Onde estou agora? Estou aqui… dentro de mim… dentro de ti… quem sabe…

Mais um daqueles dias estranhos em que a temperatura caminha tediosamente. Nada acontece. Quero voltar a vida normal ou a esbórnia sem parcimônia. Não quero a companhia do silêncio dos meus pensamentos, mas do mar ou do burburinho durante a noite. Sou visitada quando em casa estou, não preciso desse mergulho fora de ordem. Viajar é viver uma outra realidade.

… pareço um espectro a andar pelas ruas sem um cérebro. O que penso além do vazio que toma conta de mim… Eu sou vazio…