Um mundo um tanto quanto cinza e a vida toda lá fora em movimento; cá estamos todos a espera da chegada. Aonde chegaremos? E olhamos lá fora, pela janela, na esperança que o destino chegue mais rápido. Meu pensamento não quer pensar, ele está com preguiça de se levantar depois de um sono tão profundo. É duro acordar e ver que o mundo é tudo novidade*, mas caminho, sim caminho… Os letreiros acesos brilham nesta noite nublada, o calor passou; agora, aquele homem olhando-me fixamente enquanto devoro um bombom.
Aqui dentro, uma mistura de sentimentos. Eu sou minha própria novidade, tantas coisas a acontecer, tantas atitudes impensadas. Caminhar… É tudo novidade, mas eu já conheço. Então volto a dormir que é pra ver se me esqueço, conseguirei? Caminho… Para algum lugar? Será que este ônibus me levará ao meu destino, ao encontro comigo, o meu eu amado. Caminho… Que o meu pensamento não quer pensar e para aprender eu vou ter que apanhar, pois só assim que o ser humano evolui, só assim serei o que eu nunca fui.
As batidas de meu coração, nervoso… pausado… fechado… parado… Felicidade meio triste que me invade, o tempo é tão velho e eu nem nasci. O tempo nunca passou e eu nem percebi. Mistura, todo um mix; passado, presente, futuro; este ônibus carrega tudo, todos. Não, que o meu pensamento não vai pensar, enquanto eu não fizer seu coração vomitar toda a consciência que não o deixa em paz com os mesmos padrões de séculos atrás, com as mesmas paixões por coisas absolutamente banais.
*trechos de Meu pensamento não quer pensar por Moska.