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Velha e cansada desta vida escondo-me atrás do telefonema não feito. Quero meu casulo, uma semana…
Minha mente viaja tentando achar solução para o passado, mas as soluções todas não cabem ao que passou.
E permaneço vivendo uma vida que não é minha, mas sinto nem vivê-la… Um tempinho apenas, continuo esperando. Até quando?
Notícias chegam, será que mudei tanto assim! Hoje sinto-me a mesma de anos atrás. Ainda procurando o vento a me guiar. Preciso de remos ao menos… Meus conhecimentos de navegação são nulos e as ondas continuam a me levar por este mar.
Inadequação, sinto. Nem consigo falar a mesma língua estes dias como se a mente recusasse esta vida. Suspiro um pouquinho, uma dorzinha.
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Ontem noite entre fumaça e corpos que se mexiam sob ondas sonoras estridentes e eu… o corpo pesado dos anos, tentando entender os berros ensurdecedores dados nesta estranha língua quis estar em minha cama acompanhada. Não, isto foi sábado. Hoje com este mau humor por não ter alguém a me acompanhar e a paciência pequenina para enfrentar os problemas diários, deito sozinha olhando a chuva e as nuvens não suportando o peso do sol que ilumina pacificamente o ápice do dia.
Queria ficar aqui bem quietinha até o dia chegar. E hoje só penso nisso, nestes próximos cinco meses de espera para o descanso de alma tão aguardado. Inquieta, ando dum lado a outro pensando em coisas e mudando de foco um segundo depois. A mente vaga tentando encontrá-lo, tentando encontrar-me. Sem conseguir, caminho junto ao tempo, mais um pouco, preciso correr um pouco mais.
Preciso de companhia nesta preguiçosa semana, ainda mais que escutei a voz dele (quando foi?) domingo; preguiçosa, cansada, doentinha. E a vida resume-se a vozes e letras e a mente vagueia buscando sentindo nisso e naquilo.
Um dia desejei que o mundo parasse para que eu descesse, diante desta impossibilidade resolvi deixá-lo, my outside world. Hoje quero voltar, porém a chave não pode ser usada neste momento. Por que fico? Objetivos futuros, nada mais. Quais são eles mesmo?
Queria largar esta vidinha sem importância, mas descobri a importância daquela lá porque cá estou. Então olho mais uma vez através da janela e penso nas pessoas do lado de lá. Não se preocupe, hoje estou de mau-humor, inquieta, desejando que o tempo passe logo e finalmente a companhia chegue, o resto é perfume.
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Como vais nesta vida que não sei onde levas? Na que me deste, tudo bem. Quer dizer, ainda não a sinto como minha. Sempre penso nesta vida emprestada nas sigo vivendo-a, da melhor maneira que posso. É… é uma vida grandiosa pelo tamanho das coisas que a cerca, mas de pequena importância. Porém penso na real importância da minha verdadeira vida para o mundo, não encontro, seguimos empatadas.
Meu problema aqui é que não relaxo, tento viver esta vida como minha mas esbarro na minha própria incapacidade de esquecer. Talvez se ma desse, realmente. Penso sa quereria se ma oferecesse. A primeira resposta é negar com veemência, mas não sei se acabaria me acostumando e esquecendo daquela outra, a minha verdadeira que segue abandonada já que não a emprestei a ninguém.
Não, não tenho a intenção de emprestá-la porque pode calhar de gostarem e não ma devolver. Neste caso ficarei tão triste e tentarei de todas as maneiras tê-la de volta que prefiro não me arriscar. Ela segue vazia para sorte de uns e azar de outros.
Parece mesquinho segurar aquela em minhas mãos quando de boa vontade me emprestou a tua. Fui eu quem a pediu por alguns meses, contudo parece mais difícil do que supunha andar por ela. Faço com a disposição que posso e acho que a tenho vivido bem. Talvez não a agrade, mas tento aproveitar para ver a minha vida sem deixar-me de lado.
A carta era apenas para agradecer e contar as novidades, o que foi feito. Desculpe a demora, mas espero notícias tuas em breve.
Beijos,
Sphinx.