Minha alma vai estranha, não pertencendo a lugar algum. Parece que as horas aumentadas, alargou a nossa distância e eu, de não agüentar, desisti. Abandonei-me. As palavras adentram-me sem significado algum, enquanto sua voz fala de seus problemas. Não estando lá, coloquei uma barreira. Afastei-me. Desenchi-me de tudo.
Silêncio, inevitável amigo. Queria apenas ficar lá com toda esta dor que não consigo expressar. Fecho-me. Caminho por estas casas já familiares. O vento balança calmamente as folhas que, frágeis, caem. Todo um medo me invade. O que encontrarei quando lá voltar? Falta tanto e já me preocupo.
Fecho os olhos e os barulhos da cidade me enchem. Burburinhos imaginários transbordam ao redor; logo depois, o silêncio mortal. Falo algo em português e escuto minha voz, soa normal. Em inglês ela embrutece, não sou eu. Sem nada ao redor, falo comigo mesma.
Tomo decisões que serão acertadas tantos meses após, então penso mais uma vez para chegar a mesma conclusão. Caminho em círculos. Minha alma segue sufocada e a felicidade até chega, mas aquela temporária que me empurra pelo dia. Onde pertenço? O que quero?
Quem disse que devo pertencer àlgum lugar? Talvez a mim mesma. E meu corpo continua navegando pelo dia, enquanto minha alma vagueia numa busca pelas respostas que já tenho. Por que ainda permaneço? O que acrescenta a mim esta viagem? Quais são mesmo os meus talentos?
Volto à casa que segue vazia e tenho a companhia bizarra dos nossos sons, estes que me invadem. Se já decidi as pessoas, ainda há algo a refletir. Quanto mais avanço, mais dúvidas tenho. Eu só tenho 25 anos! Eu já tenho 25 anos! Ó vida, resolva-se! Ó coração, aquiete-se!
Tenho medo, medo das minhas escolhas. O sonho ou a realidade. Minha alma sabe a resposta que me apavora. Fujo. Corro alucinadamente. Não foi a fuga que me trouxe aqui, a esta casa? Talvez devesse me desconstruir, vencer-me para, enfim, ter a certeza.
Talvez minha alma quisesse afastar-nos dos barulhos da cidade para que eu a escutasse. Derrotar este impossível destino e torná-lo vida. Em silêncio, escuto. Não meu coração, este músculo, mas esta alma que, de tão grande, se mexe em mim tornando difícil suportá-la. Ela grita, ela clama e desistindo, enfim vencida, sinto.