Está sozinha paralizada pelo medo de suas impossibilidades. Quer mais, mas não consegue mover-se. Presa a mercê do vento e da chuva, não consegue chegar a conclusão alguma porque o problema era insolucionável. Cala-se.
Não resta nada a fazer, fica ali parada a pensar. Pensar em quê? Pensar nestas pequenas dificuldades que dificultava sua saída dos espinhos. Era prisioneira. Sem ar, arranhada continua calada a espera que o problema se resolva, mas ele é insolucionável. Continua calada.
Porém seu pássaro vem com ela falar. A voz sai fraquinha e ela diz que se atrasará porque está presa num problema insolucionável. O pássaro pensa que ela está brincando afinal para ele era apenas voar e veria-se livre dos espinhos. O problema sufoca-a. Ela grita.
O pássaro percebe que ela está paralizada pelo medo. Pede para ela não dificultar a vida, “mova os braço e verá-se livre”. Livre pra quê se ela não sabia voar. “Tente”, cansado de ver suas alternativas recusadas, voa, mas antes diz que a esperaria. O problema parece enterrá-la. Ela berra deseperada.
Cansada, aos poucos vai sendo tomada por um ânimo inexplicável. Então o pássaro não ficara chateado. Talvez se usasse uma das suas sugestões. Puxa o braço e arranca a árvore espinhosa pela raiz. Os espinhos continuam na alma dela, no braço em carne-viva dela – por pouco tempo pensa, mas agora ela já está livre.