Estava pronta para a resposta. Por isso, discou o número que sabia de cor. Fazia tempos que ao ligava e mesmo assim ainda lembrava o que a verdade nuca tinha esquecido. O número sempre esteve a lhe rodar a cabeça, dizendo-lhe que a paz só chegaria quando a resposta fosse dada.
Esperou que a ligação fosse completada. A espera, em vez de paz, trouxe a dúvida. E se ele não mais a estivesse esperando. E se, diante do tempo, ele outra já tinha. Diante disso, ela não agüenta e coloca o telefone no gancho para se arrepender em seguida. A paz só chegaria com a resposta. Se ele não a quisesse mais, pelo menos ela saberia e, depois da tristeza, a paz chegaria. E o tormento daqueles números que fingira esquecer, acabaria.
Disca novamente. Desta vez a espera foi breve como se a pessoa soubesse e esperasse que quem ligou, ligasse novamente. “Alô!”, diz a voz grave do outro lado da linha. E ela emudece. A voz repete-se novamente insistentemente. “Oi”, ela diz. Pergunta como ela está. Não parecia surpreso, nem mesmo entusiasmado. Ela se arrepende. Ele provavelmente não se importava. E ela fala do dia a dia, eles conversam sobre amenidades.
Em um ponto a conversa morre e o silêncio toma conta. Ele pergunta o que ela queria. E ela, enchendo-se de coragem, pergunta se ele ainda esperava pela resposta. Ele não diz nem que sim, nem que não. Pergunta a ela qual é. Afinal ela o tinha feito esperar tanto que mesmo que ele não mais a quisesse, a resposta ele merecia. Mas do que adiantava uma resposta que não mais se queria?
Então, ela a dá, “eu aceito”. E ele, não entendendo, pergunta o que acontecera para ela então se decidir. E ela explica que não aceitou antes porque acreditara que não conseguiria viver como estrangeira mas, ao pensar, como ele recomendara, descobriu que viveria como estrangeira em qualquer lugar do mundo, inclusive sua própria terra, sem ele.