Fevereiro 2005


Silêncio da espera. Silêncio de respeito. Silêncio antes do momento aguardado. E sem nada a ser dito, silêncio. Nem triste, nem alegre, silêncio apenas.

E hoje eu o quebro para falar que daqui a um mês já estarei na terrinha. Nossa, passou tão rápido e estou tào pouco nervosa. Enquanto isso, mais uma vez entre malas e bugingangas, desejando que todas as coisas coubessem. Por que uma vida não cabe em duas malas e algumas poucas caixas, sempre tem um sentimento, uma lembrança em cousas que mereciam ser levadas.

Por um segundo pensei tratar-se de uma repetição, um ano atrás eu falava em malas e desespero em fazê-las. Porém era outro lugar, outra situação. Naquela época eu não via a hora da hora chegar, hoje o sentimento também se repete com outras emoções. No fundo arrumar as malas é doloroso.

E eu devia era continuar em silêncio quando pouca coisa merece ser dita. Quieta menina. Aprecie as coisas ao redor e o que puder deixar, deixe. Afinal as lembranças e sentimentos não estão nas coisas, mas em mim.

Eu andava sem pressa na cidade que não era minha. Fui expulsa quando ela e eu nos tornamos apenas uma.

Eu crescia dentro dela e tomava espaço, penetrando-a, descobrindo seus segredos. Já a sentia minha. Foi quando colocaram um fim em mim. Deixei de ser cidade.

Quando hoje nela fui, já não era mais minha e a via como sempre a vi. Estrangeira da cidade. É como se ela se sentisse ameaçada pelos seus segredos seres tão meus.

Hoje eu chorei pela cidade e me entristeci. Dei adeus aos meus prédios queridos. Hoje sou apenas uma mais que em sua frente passa.
aberto por Dulce, também estrangeira