Como borboleta tenho sempre o problema de voar, voar e não chegar a lugar algum, mas agora quero voar metros diretamente a você para dizer que estou confusa, que não entendo o que aconteceu, o que deu errado. Mesmo que digas que o problema era as circunstâncias, eu sempre vôo nesta mesma alternativa, “o que eu fiz para dar errado?” Chega o momento em que percebemos que nada fizemos, e o fato das coisas serem decididas não por nós, mas pela vida, antes de trazer alívio traz mais tristezas.
E agora, o que fazer com esta vida toda que me foi devolvida quando eu de bom grado não mais a queria? Que sonhos ter quando aqueles que eu sonhei, pelo menos neste tempo, não puderam mais existir? A tentação de continuar como antes, sonhando é grande; porém, eu tenho 27 anos, já vi coisas demais, já senti coisas demais, já acreditei em coisas demais e me sinto tão velha para continuar sonhando e correr o risco de saber que não era problema do tempo, mas de nós.
Dentro de mim só existe confusão. Tenho que escolher qual sonho ter. Porque a tentação é grande; eu só tenho 27 anos e não vivi as coisas que sonhei viver com você, porque eu não senti todos os sentimentos junto a você, porque eu não realizei todos os nossos sonhos, e sinto-me tão jovem, e quero continuar sonhando e correr o risco de saber que o problema era do tempo, e não de nós.
E se não sei o que fazer, pelo menos eu vivo na esperança que em pouco tempo eu saiba exatamente. Seja o que for, eu invento sonhos, vôo para onde eu quiser voar. Porque eu sempre fui meio borboleta, mesmo quando vivia uma vida de Lua, de Sphinx, de Índia-princesa. O comum entre meus tantos eus é que eu sempre decidi e voei em direção reta ao que julguei ser meu destino. E por mais que esteja demorando desta vez, a decisão eu encontrarei.