As palavras ficaram no ar, entre a minha boca e meu pensamento, e perguntei sobre aqueles problemas práticos, como se fosse o mais importante. O diálogo tão cuidadosamente se perdeu quando um jato voou ao meu lado. Eu, tão frágil, pude apenas num sopro tentar me defender. De quê, eu, pequenina borboleta, não sei.

Hoje eu tentei pensar como ave-borboleta. Talvez não tenha conseguido, mas num sopro pude levantar vôo. Não, não foi um vôo, mas uma idéia de vôo, porque o vôo apenas vive ali, em minha imaginação. Foi de repente que descobri a penumbra que envolvia meus olhos. Descobri que estou envolta no meu casulo enquanto penso no lindo vôo que darei como borboleta.

Ao reconhecer que meu tempo de casulo ainda não acabou, a calma chegou e quietinha fiquei. O meu casulo não me pareceu triste quando reconheci exatamente o que ele era. Talvez eu esperasse estar entre as nuvens, a tremular minhas asas coloridas. Porém tudo tem o seu tempo e, como crisálida, sei que meu tempo de borboleta está perto, mas ainda não chegou.