Julho 2005


Eu queria ser hoje uma borboleta que não pensa muito nas coisas porque sabe que elas ficarão naturalmente bem. E eu poderia voar tranqüilamente ao seu redor e apresentar todas as minhas cores. Infelizmente tem horas que precisamos da chatice da organização e da louca da coerência para que não saímos tropeçando pela vida e hoje tive que fazer o papel de inseto chato que pensa em tudo e parece muitas vezes não pensar em amor. É que nunca fiz este papel antes e, sem saber exatamente como me portar, exagero na dose. Porém, saiba que eu ainda aprendo a misturar esta cautela com o louco voar do amor. É nisso que eu estou trabalhando.

Ah, a chuva chata e fina que passa o dia a cair pacientemente como eu que cismo em falar a mesma coisa semanas a fio. Não, ninguém merece mais ouvir falar de mim, mas principalmente, eu não mereço me ater a material tão volúvel que um dia sente para no outro não mais saber se sequer sentiu. A borboleta, para usar a linguagem deste blog, nasceu e voa claudicante, seu primeiro vôo.

Ultimamente tenho sido visitada pelo medo constante. Talvez a proximidade de meus 28 anos tenha aberto em mim uma urgência que contrasta radicalmente com minha vida parada a espera de decisões que eu não sei como tomá-las e, sendo sincera, o mundo não faz nenhum sinal que vai me ajudar, talvez ele esteja cansado e desta vez tenha decidido me deixar resolver sozinha.

A frágil borboleta coloca sua primeira asa fora do casulo. Quão frio é o mundo! Porém descobrirá que ele pode ser quente. Ainda não podemos saber que cor ela contém. E isso pouco importa. Não podemos saber qual destino ela escolherá. Arrisco-me apenas a contar que ela se depara com a possibilidade de dois destinos e ela nem sabe para o qual seguirá.

De repente uma possibilidade, mas descobriu que a mágoa de ser transformada em tão frágil ser ainda perdura. Sabe que pode perdoar, mas não sabe se quer dar mais que o perdão. Ah, não é dada a mudança de idéias com tanta facilidade e não entende quem muda tão rapidamente de idéia.

Fica na possibilidade de realizar um antigo sonho, que fora recharçado, e um novo que se desenhava dentro dela como crisálida. Todos os sonhos são bonitos quando sonhados, mas o que serão eles quando realidade? Sem saber adia o momento. Fecha-se com qualquer substância da qual é feita. Sabe que tem que decidir. O ar está todo lá fora a espera. Contudo o ar se mostrou uma vez terrível. Tem medo de voltar a acreditar. Pelo menos por enquanto adia. No casulo, ainda não está preparada para o primeiro vôo.