Todas estas sombras que vejo. Quando será que finalmente verei a luz que fará todas as coisas terem algum sentido. Parece que o mundo não tem sentido algum. É da escuridão que me encontro que percebo a escuridão que vivo. Só isso me faz um pouco diferente dos outros que nem percebem este jogo de sombras. Nada parece ser o que é. Tudo é um outro diferente, um outro mais claro. Onde está este outro? O que espero é conseguir arrancar as correntes que me prendem a uma realidade que inexiste. O que realmente é, está além: isto é tudo que sei, que descobri. Falta saber como conseguirei me libertar – se um dia ei – e correr para assistir o que na realidade é. Sento e penso, só assim chegarei a verdade que me libertará.
Agosto 2005
Agosto 18, 2005
eu vejo sombras
Posted by Dulce Nascimento under sentido | Tags: luz, pessoal, sombra |[2] Comments
Agosto 12, 2005
não, todas estas mudanças não passam de ilusões. eu sou e pronto. e todos estes novos eus contrários ao primeiro, e ao mesmo tempo, igual são todos eu. nada em mim muda. tudo é engano de meus sentidos, ilusões do mundo em que me encontro. eu não posso ser não posso ser eus, porque tudo é, no singular. eu sou uma e pronto. porém, como ficar intacta e descrer na irrealidade que sinto? tudo que vejo é ilusório. em que acreditar? eu. um.
Agosto 12, 2005
contra-senso
Posted by Dulce Nascimento under sentido | Tags: filosofia, pessoal, senso |Leave a Comment
quem é esta se não meu outro eu? esta que não sei quem é. esta que me entontece sendo o meu contrário e eu. e quando me espanto, e quando estou perto de me acostumar comigo, eis que surjo, novo eu. a única coisa que posso responder quando me perguntas o que sou é que sou esta que a cada instante não é esta. eu sou o meu contrário que se transforma no meu outro contrário, eu… incessantemente.
Agosto 11, 2005
When you don’t have anything to say… One thing can’t be the same than other, because one is one, and other is other. Simple like that.
Agosto 8, 2005
im nobody, n u?
Posted by Dulce Nascimento under emily dickinson, versos | Tags: emily dickinson |Leave a Comment
I’m nobody! Who are you? Are you – Nobody – Too? Then there’s a pair of us! Don’t tell! They advertise – you know! How dreary – to be – Somebody! How public – like a Frog – To tell one’s name – the livelong June – To an admiring Bog! Emily Dickinson
Agosto 5, 2005
a beira da real questão
Posted by Dulce Nascimento under vida | Tags: pessoal, tempo |Leave a Comment
O que é isto? Nem meu computador funciona direito e postar fica completamente difícil, beirando o impossível. Se ao menos fosse apenas isso. Em alguns momentos sinto um sussurro que diz para radicalizar e apostar tudo na mais louca aventura, mas eu já não apostei e perdi? Pelo menos eu achei que perdi; ou foi somente a primeira, segunda ou terceira jogada? E poderia perder tudo e recomeçar do zero. Neste momento eu não tenho nada a perder.
Estou viva. Sobreviva. Sobrevida. Sem emprego, sem dinheiro, sem amor. Sem arreios, girando como um peão desgovernado. Até quando? E diante do nada eu até poderia aceitar a proposta, mas… eu queria que se existisse uma outra cartada que a jogadora fosse/agisse diferentemente. Quero a ousadia de jogar mais ases, valetes, reis e damas. Não contentarei com um par, quero a melhor jogada. E é por isso que não aceito, ainda não estou esta jogadora. E fico aqui quietinha a espera que de tanto pensar, eu mude.
Estou a espera do tempo. Posso estar a empurrar o momento da decisão para mais adiante, largo apenas pelo pensar. Posso até não ter nada mais o que largar, como da primeira vez, e talvez isto mude tudo. Ou descobrirei que sempre há algo que se perder, nem que seja pessoas caras, mas também há o que se ganhar. E as pessoas caras se perdem, ou as carregarei sempre comigo?
A questão não é esta. Eu sei que não está nestas questões a resposta. Então, por onde está? Talvez se continuar a minha indagação eu chegue à questão. Tempo. Tempo. Tempo. Hoje eu estou vendo ele até com certo bom humor, pequenino, mas bom humor. Por hoje isso me basta.
Agosto 3, 2005
o efeito borboleta
Posted by Dulce Nascimento under borboleta | Tags: caos, Edward Lorenz, efeito borboleta, gaia, henri poicaré, MIT, mitologia, teoria do caos, terra |Leave a Comment
O caos vive em mim, nenhuma ordem parece existir. São pensamentos sem forma, que abundam sem parar e parecem criar a imprevisibilidade. Do terrorismo que se espalha além Oriente Médio, passando pela política brasileira com suas maletas e mensalão, chegando aos tiros e balas perdidas que invadem a guerra urbana na cidade maravilhosa: tudo parece fora da ordem. Isso sem contar tsunamis, enchentes, altas temperaturas e minha própria vida. Tudo tem em comum o caos, a forma alguma, a aparentemente inexistência de estabilidade.
Para a mitologia grega, antes da criação do mundo existia o vazio ilimitado que continha elementos sem forma e uma desordem indescritível e imaginável. Este era o Caos. O Caos não era divindade, mas foi dele/dela que nasceu a divindade Gaia (a Terra). Segundo os gregos que tinham lá a crença na ordem e perfeição do mundo, a Terra nasce para oferecer a estabilidade. Contudo, Gaia ou Terra, como queiram, guardou certos resquícios de seu pai/mãe, afinal toda “filha”, por mais que se recuse, guarda certas características de seus pais e nossa querida terra não fugiu a regra. Aliás, Gaia foi “gerada” do Caos, sem outro espelho a quem seguir o que já é um grande indício que ela só poderia ser este caos mesmo, foi a gente que inventou a estabilidade.
Até alguns anos atrás achávamos que pelo menos o universo era uma grande máquina. Grande ilusão de quem até o segundo grau acreditava que as Leis de Newton eram exatas. No início do século passado, Henri Poicaré idealizou a Teoria do Caos, cuja idéia central é que pequenas alterações nas condições iniciais de um sistema podem provocar mudanças drásticas nesse sistema. Isto quer dizer que uma pequena alteração imprevisível pode provocar mudanças no clima de uma região, na economia, no crescimento populacional e até no ritmo dos batimentos cardíacos de uma pessoa.
Contudo a mais bela correlação entre causas e efeitos aparentemente sem conexão foi expressa pelo matemático e meteorologista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Edward Lorenz que, ao aplicar e constatar a ocorrência das leis do caos em fenômenos meteorológicos relacionou o “o bater de asas de uma borboleta aqui no Rio de Janeiro com uma tempestade na Índia” e batizou de “efeito borboleta” este fenômeno. Saindo um pouco do mundo da física – mas não totalmente – podemos dizer que toda energia do planeta está ligada e que uma pequena alteração em qualquer parte do planeta pode mudar o curso do resto do mundo. Será que todos estes fatos, pequenas e grandes catástrofes cotidianas, estão interligados ou é uma poética maneira de ver o mundo? E mais, quais são os fatos ligados a meu caos pessoal?
sobre o efeito borboleta
Em sistemas complexos como o clima, o mercado de ações ou o crescimento populacional é difícil prever um acontecimento porque a simulação do sistema pode não levar em consideração certas informações sobre as condições iniciais. Por exemplo, quando simulamos em computador o clima, não conseguimos incluir fatos como o farfalhar das asas das borboletas ao redor do mundo.
Agosto 1, 2005
meu caos e minha simplicidade
Posted by Dulce Nascimento under borboleta, eu | Tags: borboleta, lagarta, pessoal |Leave a Comment
lagarta. casulo. crisálida. borboleta. fases minhas, muito bem representadas ao longo de um percurso e de uma vida. não é a toa que escolhi este inseto aparentemente frágil que está sempre indo de uma fase a outra. mais uma vez, uma mudança. eu poderia, mas não sou um bichinho que sossega na mesma forma o resto da vida. então abandonei a regularidade do espaço e serei meus múltiplos, de uma só vez.
a mudança acontece muito menos na vida que continua carregada do sem (emprego e dinheiro) e muito mais na atitude. quem sabe um amor no coração ainda é melhor que amor algum, melhor que amor que insiste na distância. pouco importa! agora quero a simplicidade total. a simplicidade de sorrir, a simplicidade da palavra, a simplicidade da vida. e somente eu sei o quanto isso é difícil, ser simples é tudo qu’eu nunca fui.
agora quero somente pensar em flores que esta coisa de ser borboleta acaba com a regularidade de qualquer um. mas antes a simplicidade, que a regularidade que sempre penso rimar com tédio das coisas que não mudam nunca. eu confesso ter medo do tédio, e como a vida parece querer ser sempre a mesma carrego em mim a vontade de vencê-lo, com a simplicidade das palavras; com a simplicidade dos encontros.
mas ninguém pode falar sobre o paradoxo tão bem quanto uma borboleta que sabe ser feia para um dia ser bela, que se priva da liberdade, para ter a liberdade total das asas. e é por isso que quero a simplicidade sem deixar de lado a própria simplicidade num momento que julgar oportuno, mudar de novo porque no fundo o mundo e eu somos o caos completo. a simplicidade e a regularidade é utopia.