lagarta. casulo. crisálida. borboleta. fases minhas, muito bem representadas ao longo de um percurso e de uma vida. não é a toa que escolhi este inseto aparentemente frágil que está sempre indo de uma fase a outra. mais uma vez, uma mudança. eu poderia, mas não sou um bichinho que sossega na mesma forma o resto da vida. então abandonei a regularidade do espaço e serei meus múltiplos, de uma só vez.
a mudança acontece muito menos na vida que continua carregada do sem (emprego e dinheiro) e muito mais na atitude. quem sabe um amor no coração ainda é melhor que amor algum, melhor que amor que insiste na distância. pouco importa! agora quero a simplicidade total. a simplicidade de sorrir, a simplicidade da palavra, a simplicidade da vida. e somente eu sei o quanto isso é difícil, ser simples é tudo qu’eu nunca fui.
agora quero somente pensar em flores que esta coisa de ser borboleta acaba com a regularidade de qualquer um. mas antes a simplicidade, que a regularidade que sempre penso rimar com tédio das coisas que não mudam nunca. eu confesso ter medo do tédio, e como a vida parece querer ser sempre a mesma carrego em mim a vontade de vencê-lo, com a simplicidade das palavras; com a simplicidade dos encontros.
mas ninguém pode falar sobre o paradoxo tão bem quanto uma borboleta que sabe ser feia para um dia ser bela, que se priva da liberdade, para ter a liberdade total das asas. e é por isso que quero a simplicidade sem deixar de lado a própria simplicidade num momento que julgar oportuno, mudar de novo porque no fundo o mundo e eu somos o caos completo. a simplicidade e a regularidade é utopia.