Outubro 2005


notícias do Rio
Aqui está assim… em ponto de espera, mas estou tão fresca e suave que eu nem me dou conta. Silencio, que certos pensamentos é melhor permanecer dentro, sob o perigo de provocar estragos maiores que furacões (todos eles juntos). Estou sendo exagerada (para variar) e não largo esta pequena ironia minha. O Rio anda bem, pássaros sendo abatidos (e nunca vi tanta festa por pássaro abatido), as águas ocupam espaços como em todo o ano, as pessoas parecem sempre normais e eu não me assusto. Não há o que falar de quase nada quando se está pelo rio, porque neste momento me concentro em mim mesma. Por isso esta pequena inquietação nasce, ainda pequenina. Viagens sempre me deixam assim, um ânsia de encontrar um mundo novo. Porém, o mundo que encontrarei – s’eu pensar bem – nem é tão novo assim. Não é a primeira vez que eu faço esta viagem e sinceramente eu só desejo que seja a última (que a próxima viagem seja para um lugar realmente novo). Apesar de já ter estado lá, não parece que eu o ainda o conheço, ainda vale um todo a descobrir. E eu parto novamente, com um arco-e-flecha na mão. E sobre isso, pelo menos por enquanto, não falo mais não. Há coisas que merecem o silêncio, sobre o risco…

fantasia de halloween
Acho que o melhor, o mais complicado e o mais apavorante é me fantasiar de mim mesma. Talvez no dia qu’eu souber quem sou, me fantasio de outra coisa. Hoje, fico brincando de ser eu, mesmo sem saber o que este Eu significa.

mudar tudo de lugar
Minha mãe tem uma mania. Se ela tivesse dinheiro, duvido que os móveis ficassem muito tempo no lugar, mas alegria de pobre é mudar os móveis de lugar. E com essa casa, nem meu próprio quarto é mantido. Gostou?, Não sei, eu ainda vou perceber, Como assim?, Ahhh. Resumindo, estou com a canela roxa porque meu corpo ainda não acostumou-se com o novo espaço. Tudo bem, eu preciso mesmo de espaços novos, mas eu preferia um realmente novo. P.S.: O que Bê dirá da nova arrumação? O que Bê dirá desta nova viagem? Sobre a arrumação algo do tipo: você mudou de novo isso! Sobre a viagem, quando você vai voltar? Acho que bem ela acredita que eu não voltarei? Será que eu acredito?

Uma borboleta nasceu. Venceu seu casulo em plena primavera chuvosa e deu de asas neste mundo, que ela achou enorme. Voa de flor em flor, experimentando pensamentos. Criados, eles agora precisam ser maturados, crescidos. Estes pensamentos se desenvolvem e a borboleta percebe que as coisas a que ela queria chegar estavam sempre dentro dela, só precisavam deste tempo para florescer como o belo jardim. Agora ela age como jardineiro, podando e alimentando. Que estes pensamentos cresçam belamente para que esta borboleta se alimente de nutritivo pólen.