Pode até não parecer, mas este é um sorrateiro e preguiçoso recomeço. Recomeçar, recomeçar, recomeçar: tantas vezes que certamente me perco e descubro que não sei quem sou, mas sei que sou capaz de recomeçar sempre, com o mesmo nome ou com o outro; falando muito ou mantendo silêncio – principalmente mantendo o silêncio -; sendo sempre quem fui ou quem eu serei, porque ambas chegam quase perto de mim.
Já não importa meu nome, ou algo que as pessoas o chamem de tal. Eu não tenho nome, assim como não tenho pátria – como na música dos Titãs, sou de todo lugar, sou de lugar nenhum -, não tenho estado civil, não tenho nada. Se quiser saber sobre minha vida real – se é que a vida de alguém é realidade – vai ter que perguntar por email. Por aqui eu já não tenho nome. Chame-me do que quiser. Meu maior segredo é este, o que está dentro de mim, e o resto é tão pequeno que para isto é melhor manter silêncio. Eu prefiro assim.