Um sorriso o tirou dali. Esperou apenas alguns minutos antes de encontrar uma nova companhia. Gostara realmente da companhia da noite anterior, mas não perdeu a oportunidade de amar mais uma, quando uma outra jovem, da mesma terra que ele, sentou-se ao seu lado e falou com o mesmo sotaque que lembrou escutar em suas memórias cada vez mais esparsas. De imediato convidou-a a entrar para a loja e estava feliz porque encontrou em mais uma noite o amor. Cheiros, alegrias e fumaça permeavam o bar e aproximavam os cidadãos. A fumaça impedia que todos se vissem e ao mesmo tempo permitia que todos misteriosamente pudessem se ver, o pensamento cursou tão rápido Alexandre que ele nem lhe deu importância, como não lhes dava em nenhum dos dias. Ela falou sobre a cidade de onde veio a pouco, ainda estava a procura de amigos. “Quer ser meu amigo?”, “Claro”, respondeu ele sabendo que nunca mais a veria quando se despediram na porta da loja. Não tinham química.
Seguiu em silêncio por alguns metros e entrou em outro bar com letreiros em vermelho que ficava mais a frente. Ficou a espera que alguém, ou pela menos a de ontem, aparecesse. Ainda foi olhado por mais algumas e poderia ter chegado a elas facilmente, se quisesse. Entretanto ficou ali pensando a sua incongruência, aquele era um lugar para esquecer que pensamentos existiam; lugar para se abandonar aos sentimentos e às outras pessoas. O bar os aproximava, a loja do amor os unia. E naquela parte da cidade não faltavam bares-lojas para que todos finalmente pudessem se abandonar aos sentimentos. Lembrou-se do amor da noite anterior. Não soube o porquê, mas quis novamente se encontrar com ela. Talvez a curiosidade de saber mais. Permaneceu quase muda e não falou nada. Tinha um nariz feio e ainda ao natural, talvez isso tenha lhe chamado a atenção, algo que mais não via. Então, enviou o sms, porque achou que ela gostaria de encontrá-lo – e quem não gostaria – Alexandre pondera.
Nas lojas finalmente podiam conhecer sua cara-metade e divertir-se com ela. Escolhiam quem e como queriam. O amor da loja punha eles finalmente juntos pelo tempo que quisessem. E se não o encontrasse, porque alguns dias simplesmente foram feitos para solidão – embora isso não fosse incentivado – se divertiam com a música, a televisão, o cinema e com pessoas amigas – a maioria acabadas de conhecer. Ela não apareceu. Ficou por alguns minutos decepcionado, não com ela, mas com ele mesmo. Nos últimos tempos sentia falta de alguma coisa. Talvez falta de emoções no trabalho que lhe parecia monótono ou de algo que já não tinha visto, e quando a encontrou na noite anterior subitamente achou que descobrir o que ela escondia seria emocionante. Já teve a mesma sensação antes e sabia que tão logo descobrisse o mistério, ela já não mais lhe serviria.
Ao seu lado todos eram amigos, a união de todos numa loja. E Alexandre nunca deixava de se divertir mesmo depois dum dia cheio de trabalho e mesmo quando pensava na coisa que lhe fazia falta. Sentou-se do lado duma outra moça e depois de uns trinta minutos prestando completa atenção ao esporte, ela finalmente chamou-lhe a atenção, mas infelizmente recebeu um outro sms, agora do trabalho. Não podia descobrir mais sua companhia, era hora de sair dali.
