Continuei a espera como fui aconselhada pela minha mãe, mas o “nativo” parecia sem intenção de querer descobrir a nossa terra. Disse que estava muito ocupado e me convidou a conhecê-la. Na terra dele provavelmente é muito fácil as pessoas se locomoverem, mas na minha não. Na terra dele provavelmente são as mulheres que se locomovem, mas na minha não. Na terra dele. ninguém parecia disposto a descobrir coisa alguma, mas na minha… na minha também ninguém. Menos eu, índia Iratembé, que sempre quis descobrir algo que não sabia o nome. E se fosse… e se fosse uma nova terra?

Porém, como convencer a todos na tribo que eu poderia pegar a canoa e remar, ainda mais sozinha, a uma terra desconhecida que ficava além das “grandes águas”? Comecei a preparar todas as coisas às escondidas. Apenas uma amiga minha sabia e ajudou-me a encontrar uma canoa alada. Mesmo com a canoa e suprimentos, não embarcaria sem o conhecimento de minha mãe. Contei a ela, e ela não queria que eu fosse. Afinal somente os grandes guerreiros atravessavam o “grande azul” numa “canoa alada” rumo ao desconhecido e, segundo ela, nenhum voltava.

Mesmo depois destes comentários, não desisti. Minha mãe não entenderia. Continuava dizendo que eu devia esperar, mas eu odeio grandes esperas, preferia uma grande descoberta. Ela nunca tinha saído além das demarcações de nossa tribo. Eu queria conhecer outros lugares e mais, eu queria conhecer quem era aquele nativo que virava a minha cabeça durante os últimos meses. A minha mãe coube apoiar o que ela achava uma grande maluquice, mas diante de minha determinação nada pode fazer. E em 27 de julho, quase dez meses depois do primeiro sinal de fumaça, embarquei rumo a terra desconhecida.

Postado originalmente em 25/01/2005