
Para me acalmar dos perigos encontrados no caminho, uma poderosa “caixa de guardar música”, com meus sons favoritos, tocava. Eu tentava afastar os pensamentos dos perigos cantarolando. Não era medo do “grande azul” o que eu tinha, era medo de me perder nesta imensidão, era medo de não consegui chegar, era medo de não consegui o encontrar, era medo de não deixarem eu entrar e, era um pavor do bicho grande dele, de mim, não gostar.
Imagine passar tanto tempo com tantos medos… Comecei a pensar em minha mãe, talvez ela estivesse certa. Apenas grandes guerreiros podem enfrentar bravamente tantos medos e muitos deles devem cair no “grande azul”. Era por isso que os “guaranis” nunca voltavam. Talvez se eu me concentrasse mais na música… Ou se eu caísse nos braços do senhor do sono… Porém a canoa precisava ser navegada e eu, colocar rumo nela.
Foram uma eternidade de 36598 segundos de muito sacolejar na “canoa alada” até chegar o destino. Esta eternidade foi preenchida por ansiedade, alguns encontros com pessoas estranhas de outras tribos e comendo coisas ruins pelo caminho. Só a jornada, daria uma história tão longa quanto o prólogo desta história, mas como não é sobre a viagem, mas sobre o descobrimento que estou narrando, então terminemos com esta narrativa e vamos para o desfecho, deste post.
E foi então que em 28 de julho eu avistei a terra. Era pequenina a princípio. Via casas, ruas e carros. Pessoas ainda não avistava. Será que não seria o momento dar a volta e voltar? Mas tantos perigos enfrentados no caminho, mereciam mais coragem na chegada. Peguei os remos e fui em direção ao porto e quanto mais me aproximava via as pessoas – pequenas, diferentes pessoas. E quando cheguei, dei um suspiro grande. Na terra eu tinha chegado, mas ela ainda estava longe de ter sido descoberta.
Postado originalmente em 29/01/2005