
A cidade era enorme. Grandes prédios e praças e ruas, tudo tão antigo que me sentia pequena, quase insignificante. Continuávamos a conversar, nenhum dizia exatamente o que queria, e cada um se fazia a mesma pergunta, será que o outro gostou de mim? Ninguém arriscava a perguntar. Cada um tinha medo da resposta.
E índia Iratembé que tinha arriscado a atravessar o “grande azul” e seus perigos estava muda diante de um nativo. Senti-me tão deslocada, tão logo cheguei, e achei que talvez fosse a hora dele se jogar, perguntar era o mínimo. Perguntar demonstraria um interesse que preferia manter calado.
Por fim ele fez a pergunta e tive medo da resposta, mas a verdade queria ser confessada e foi. Com os olhos fechados, o beijo foi recebido. Se eu, índia Iratembé, tinha mudado tanto até chegar ali, mudaria muito mais, afinal fui agarrada por Rudá e, desta sina, eu não podia fugir. Enfim, a terra foi descoberta.
Postado originalmente em 05/02/2005