
E finalmente o príncipe lança seu sinal de fumaça. Índia iratembé deixa seus lanços em finas cambraias; estava preparada para partir para a terra há muito tempo descoberta. Preparada estava para embarcar pela última vez no seu barco. Sabia que enfrentaria outros perigos. Na dificuldade de transformar a terra, transforma-se e transformar-se-á. Agora desembarcada, finalmente junta de seu guarani, parte para enfrentar seu grande desafio entre todos encarados desde então, fazer daquela a terra dela.
Então embarca pela que considerava a última vez na “canoa alada”, relembra todas as angústias que enfrentara até então. Tem medo, mas segue em frente e cruza mais uma vez “o grande rio”. É recebida com alegria, parecia que nenhum grande mostro enfrentaria o caminho da nossa indiazinha. Contudo, ela não estava preparada para o mostro interno que devoraria seu “guarani”.

E finalmente, depois de muitos percalços, o tempo em terra sam terminou e índia Iratembé estaria de volta a sua terra. Sua tribo já sabia que chegaria para uma rápida despedida antes de partir de novo, daquela vez definitivamente. Porém, quis os “grandes deuses” mais uma vez que o tão aguardado não chegasse ainda. Teria que ficar mais tempo do que o planejado com minha tribo. Meu “guarani” e os seus enfrentavam grandes vendavais. Seria arriscado atravessar o “grande azul” em época tão traiçoeira.
Voltou a sua tribo, o retorno fora feliz. Fui recebida com grande festa e acabei me acostumando novamente ao rio, a tribo, aos cheiros e lugares meus; aguardar não era mais problema. Minha mãe ficou muito feliz, teria mais tempo de preparar novas provisões para a nova viagem.
Enquanto o tempo não passava, índia Iratembé contava suas histórias e esperava os sinais de fumaça, enquanto o grande dia não chegava.
Ppstado originalmente em 09/03/2005
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E o “guarani” fez a proposta, pediu-me para ficar. Índia Iratembé desejava muito isso, mas não conseguia esquecer que já assumira um compromisso com pessoas geladas e que deveria retornar para lá e cumprir o tempo combinado. Contou ao príncipe sua promessa a estas pessoas. Ele entendeu e foi tudo foi combinado.
Tão logo aquele empecilho fosse contornado, eu retornaria a terra descoberta e a faria minha. Reencontraria meu “guarani” e me tornaria sua. A promessa foi selada com um beijo em frente a grandes ondas. E quando retornava a terra sam, foi o gosto dele que lembrava todas às vezes que algo de errado e triste aconteceria.
Postado originalmente em 05 de março de 2005.
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Em 31 de janeiro de 2004 cheguei mais uma vez a terra descoberta. Mais uma vez a mesma angústia, a mesma ansiedade. Tanta coisa mudara, eu mesmo já não era a mesma.
E tão logo cheguei avistei meu “guarani” e parecia que a distância não existira. Como pudera ficar tanto tempo longe da terra que era a minha própria. Terra que fora escolhida de tanto matutar e um dia ela ao coração chegar.
Indía Iratembé estava nas nuvens, mas o tempo passa voando e a data de retorno a terra sam se aproximava rapidamente. A terra sam e sua gelidez exigia minha presença e eu mesma estava cansada de apenas visitar a terra descoberta sem nela poder ficar.
Publicado originalmente em 02 de março de 2005

E eu, índia Iratembé, parti para terras altas mais a leste. Acabei descobrindo a terra sam. Terra que prometia muito, terra a princípio calorosa. Prometia sonhos e conhecimentos, a nova terra cheia de tantas tribos.
Lá, meu “guarani” continuava a emitir sinais e eles ficavam mais freqüentes na falta de sinais de minha tribo. Era ele quem me aproximava de mim mesma quando todo o frio chegou prometendo toda a transformação. Diante deste grande desafio, pensei em voltar a minha terra, mas a vontade de conhecer e vencer o desafio – e ser coroada mais uma vez – era maior. Mesmo assim, em alguns dias, eram aqueles sinais a única felicidade.
Na terra sam também tinha felicidades e pessoas queridas, mas muitas vezes sentia muita falta das pessoas minhas. Então meu príncipe convidou-me a terra descoberta retornar. E eu, que a minha terra não podia ir, resolvi aceitar e a outra terra minha visitar.
Postado originalmente em 26/02/2005

Um dia índia Iratembé resolveu partir, depois de muito pensar, e descobrir novos desafios. Nada ali em sua terra parecia ter graça e nada parecia ser esquecido do outro lado da bruma que encobria o outro lado do “grande rio”. Marcou a data.
E quando estava de partida, um sinal de fumaça foi recebido. Na curiosidade foi respondido. Nele, seu já mal afastado príncipe contava seus percalços durante os últimos tempos que o tinha feito não mais enviar sinais. Pediu mais uma chance, agora seria diferente. Será? A dúvida estava instalada.
A vontade era de sim dizer, mas já tinha planos e ainda estava magoada demais com o sumiço, já justificado, mas mesmo assim, doido. A terra descoberta a chamava. Porém, apesar de tentada, índia Iratembé é orgulhosa e não daria a ele, e a ninguém, tudo o que desejava.
O verídito a ele foi dado. Ele teria que decidir se esperava ou desistia. E para sua surpresa, ele quis esperar. Então embarcarcou em novas direções para somente então na antiga onda ir. Estaríamos nos esperando.
Postado originalmente em 23/02/2005

Depois de muitas idas e vindas entre terras, chegou a calmaria aos rios. O tempo passou e nada mudara. Minha mãe estava parcialmente certa quando dizia que o tempo acabava afastando se nada fosse feito. O tempo fez o sentimento acalmar-se. Os acontecimentos acabaram mantendo-nos em nossas terras. Mesmo assim, os sinais de fumaça eram freqüentes. A esperança era mantida, todo ano testada e mantida. Nada mudava, cada um em seu lugar. Porém, um dia, até os sinais foram também desfiando.
E passado tempos, a terra descoberta acabou sendo escondida pelas brumas e à princesa, não foi dada a chave para poder por elas passar. O príncipe resolveu esquecer. Os contatos acabaram. De repente índia Iratembé não mais recebia notícias. Passou dias, meses emitindo sinais que não eram respondidos. Calou-se e fingiu esquecer, algo que estava perpetuamente em sua memória. A terra e como ela era. A terra e sua descoberta. Resolveu pensar em outras coisas na tentativa de esquecer, e quase conseguiu.
Apresentou-se a oportunidade de descobrir outras terras, também novas. Se não havia possibilidade e interesse da nova terra e ser colonizada, em outras havia. Porém, ainda muitas águas iriam passar pelo grande rio…
Postado originalmente em 19/02/2005

Cada pedaço, cada esquina, cada pessoa, passou tudo tão rápido. Enfim, um dia, infelizmente, o tempo acabou. Ainda tinha que terminar meus estudos com os pajés. Há tempos estava ali. O tempo acabara. A minha tribo estava saudosa de mim. E eu, apesar de saudosa dela, preferia ficar, mas nem sempre uma índia devia fazer o que gostaria. O necessário era voltar.
Depois de tantos beijos, chegara o momento do final, aquele dado antes da partida. Ele pediu para ficar, somente para eu dizer que eu não podia. Combinamos de nos encontrar breve.
Entrei na “canoa alada” aos prantos. Somente cheguei a beira de casa porque naveguei sem léu, a maré me levou. Voltava eu e recebia todas as honrarias dedicadas aos “guaranis” que retornavam. Voltava? Porque naquele momento percebi que mesmo os guaranis que um dia voltaram, na verdade não eram eles recebidos por nós, mas sim um estranho. Eles nunca voltavam, sim espíritos que neles passaram a viver. Foram mortos, ressucitaram outros. Eu, índia Iratembé, voltei outra. Cheguei recebida com festa, mas não entendi festa alguma.
Postado originalmente em 16/02/2005
Querida mãe,
Já que muitos falaram sobre o achamento desta terra e como estou sem tempo, não espere minuciosidades. Serei breve.
A viagem foi cansativa e perigosa, mas mal cheguei percebi que o maior perigo e esta terra e todos os sentimentos que nela descobri. Sobre ela, podemos dizer que é pequena, mas bela. Mui antiga – eles dizem, mas se o mundo foi feito a mesma hora como eles proclamam… logo ninguém é mais antigo que ninguém. Deixemos isso pra lá que os prédios e a história daqui impressiona.
Quanto aos nativos, são simpáticos. A princípio eu não entendia patavina do que falavam. Demorei, mas hoje – com muita atenção – compreendo 30% do que dizem. A outra parte eu finjo que entendo. São simpáticos – como já disse -, me tratam muito bem. Às vezes queren que eu represente algum ritual do que eles consideram ser da nossa tribo. É que eles acham que os índios da tribo brasileira são todos iguais. Já o nativo, deste não tenho muito o que falar. Não saberia colocar em palavras. Deixo para quando chegar aí.
Não espere longas cartas sobre costumes, eu estou sem tempo – como já ressaltei. Só posso dizer que não me arrependo de ter aqui chegado e viria mais uma vez. Estou muito feliz!
Beijo grande,
da sua índia Iratembé.
P.S.: As praias daqui são estranhamente formadas de uma rocha cor de barro. Na primeira vez que vi achei que era barro mesmo!
Postado originalmente em 12/02/2005