Março 2008



Um dia, ainda em sua terra, rodeada pelo seu povo, índia iratembé ouviu que a “cidade da luz” era a mais romântica de todas as cidades. Porém, índia iratembé a conheceu com coração aos pedaços. Apesar disso aproveitou as luzes e a companhia de sua “fadas das arábias”, mas infelizmente o tempo de voltar tinha chegado, mas voltar para onde é que nossa indiazinha se perguntava.

Em sua casa, nada tinha, mas também não tinha vontade de ir a lugar algum. De repente, índia iratembé teve vontade de voltar àquela vida de antes de enviar o seu sinal de fumaça. Uma vida onde a sua terra e a sua gente a bastava. Foi com um beijo que se despediu de sua “fada” e foi com uma lágrima nos olhos que sua grande-mãe a recebeu, mas a lágrima era de mais pura alegria. Sim, a indiazinha tinha voltado.


A felicidade parecia eterna, índia iratembé estava transbordante de alegria por estar, enfim, com seu guarani. Contudo, algo dentro dela sabia que algo não estava bem. Sabia reconhecer o “grande monstro interno”, aquele que devora os “guaranis” antes do grande dia. Mesmo que índia iratembé dissesse que era uma questão de tempo, que as dúvidas se dissipariam, o “guarani” não a ouvia. Então o “grande monstro interno” berrou de dentro do “guarani”: “Não a quero mais aqui”. E índia iratembé desolada pela dor pegou sua canoa alada disposta a enfrentar o “grande rio” de volta e definitivamente.

Porém “uma pequena fada das arábias” que já a havia salvado na “terra sam” a convidou para visitá-la numa “cidade de luz”. Com sua dor e embrenhada de seu espírito aventureiro, índia iratembé se despediu-se de seu “guarani” com tristeza e viu nos seus olhos apenas dúvidas. Podia ficar? Mas preferiu embarcar na “grande máquina de carvão”, deixando seu príncipe travar uma luta com o “grande monstro interno”, luta esta que ele teria que vencer sozinho.