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I live in a world where time and place do not exist. I have only one choice, to dream. So dreamy i am that i do not really know the difference between dream and reality. I live a time and a place where dream and reality are so confuse that mean the same thing to me.

I live in a word where diversity does not exist. I have only one choice: to be who i am, to speak the only language the world speak. But to be who i am means speaking what i know, speaks that language that i heard a time faraway, a time that does not exist no more. Probably, i am talking to none, but something to be changed speads time.

ONDE?

Seele acorda numa cama com lençóis vermelhos escarlate com o barulho do celular a tocar. Ainda sonolenta olha ao redor tentando reconhecer-se. Atende o insistente telefone. Era ele a perguntar onde ela estava. “Em casa”, ela responde com voz mole. “Em casa onde?”, diz contrariado. “No quarto”, “No nosso?”, “O que você quer?”, ela acordada e zangada com aquela conversa. “Eu quero te achar”. “Então, eu estou aqui”. “Não está não”, diz ele com voz estranhamente furiosa. Já acordada Seele começa a observar o quarto amarelado, os móveis descoloridos e a rachadura que ia do teto e atravessava toda parede do lado esquerdo como em todos os outros dias. “Onde você está?”, ele pergunta novamente, agora preocupado. “Estou em casa e você?”, “Eu estou em casa”. Leia Mais.

Seele sente frio, coloca o capuz na cabeça e fecha o casaco. De repente tinha esfriado, pensou. Ziguezagueia pisando em terra molhada em direção a estradinha. Passa por outras casas, todas elas com as mesmas escadas a dar para um espaço em comum, o fundo das casas sem muros. Caminha apressada querendo sair dali, espremida pela neblina que se formava, casas de quintais comunitários e árvores mais adequadas ao clima temperado do que a cidade quente em que vivia. Corre vacilante pisando na terra molhada e esmagando folhas secas espalhadas no chão. Fim de Outono, pensa distraída a respirar o ar úmido do fim de tarde. Não percebe que a frente dela estão duas crianças segurando cada uma sua bola. Leia Mais.

Via as árvores enquanto contornava a linha de trem. Em frente, apertando o corpo com as mãos enquanto o frio do fim de tarde chegava. Caminhava apressada, quase num ritmo mutante, pensou. Estava tão confusa, de uma confusão que já não era humana, assim como pouco humano era o fato de acordar numa casa que era tão igual a sua, mas não o era. Sonho? Qual fora a última coisa que fez antes de dormir? O que tinha feito durante o dia? Lembra que estava cansada, por isso adormeceu. Cansada de quê? Quando foi a última vez que o viu. De manhã foi a resposta imediata do seu cérebro, mas enganadora, pensou em seguida. Não o viu de manhã, não recordava a última vez que o viu. Á noite? Ontem à noite? Estava no mercado. Leia Mais.

O trem quietamente deixa a estação e desce em ritmo acelerado. Estava com o capuz, sabia que o tinha que usar. Olha com interesse o interior cómodo e vazio do comboio. Ninguém em direção à cidade. Olha a paisagem nublada e fria lá fora, enquanto o trem ganha ritmo acelerado encosta abaixo. Na última estação antes da cidade, segundo dizia uma voz mecânica, subiram mais três pessoas, também escondidas marginalmente como ela. Todos em cada ponto, não misturados. Ela olha com interesse as pessoas. Uma certamente era uma mulher, podia notar pelo modo como placidamente sentou-se e aguardava a sua estação. De bolsa encostada ao colo enquanto fingia olhar com interesse as nuvens lá fora. Leia Mais.

QUEM?

Um sorriso o tirou dali. Esperou apenas alguns minutos antes de encontrar uma nova companhia. Gostara realmente da companhia da noite anterior, mas não perdeu a oportunidade de amar mais uma, quando uma outra jovem, da mesma terra que ele, sentou-se ao seu lado e falou com o mesmo sotaque que lembrou escutar em suas memórias cada vez mais esparsas. De imediato convidou-a a entrar para a loja e estava feliz porque encontrou em mais uma noite o amor. Leia Mais.

O sms dava-lhe indicações para ir ao mercado, encontrar com um colega. A noite estivera monótona até aquele ponto e ele, preferia, a monotonia de ir para casa sem nada ter feito a ter que ir ao mercado. Odiava aquela mistura de cheiros e vozes, na maioria incompreensíveis, que perambulava cada centímetro daquele lugar. E sabia que tão logo entrasse, as pessoas se trancavam nelas mesmas. Nunca conseguiu qualquer coisa útil no mercado e, muito menos, depois das oito horas da noite. Por isso não entendia que o chamassem para aquela área. Leia Mais.

Assim que entrou Alexandre percebeu que chamava atenção das pessoas. Algumas delas o olhavam desconfiados, quase todas se calavam tão logo o notavam. Aquele não era um lugar frequentado por pessoas diferentes, parecia um clube com convite definido, e ele estava longe da definição de convidado. Todos se dispersavam, escondiam-se da cidade, o que eles não sabiam com certeza é que para cidade era imprescindível que alguns deles ali vivessem e trabalhassem e, para isso, eram mantidos sob o medo constante de que a paz devia ser mantida, com o custo do abandono daquela terra para que a oportunidade de outro lixo pudessem estar ali. Pessoas desejosas de atravessarem os muros eram o que mais existia, embora não era aconselhado que moradores acostumados ao lado de lá entrassem e espalhassem seu próprio modo de vida. Leia Mais.

Quando ele entrou no velho mercado, Seele pode perceber que algo importante iria acontecer. Um novo nascimento, nasceu, quase uma nova, com aquele olhar. Ainda não sabia o que ele queria, mas sabia que alguma coisa mudara e a sua existência só seria comprovada, a partir deste momento, pelo homem que entrou na loja e folheia um Alighieri velho, escrito no original, uma língua não mais existente, com um fingido interesse em pecados e infernos, “como se eles ainda existissem”. Leia Mais.

“O que queres?”, Alexandre pergunta com desconfiança e raiva à moça que o seguia desde que saiu do mercado. Ela permanecia calada com rosto de dor. Percebeu que apertava o braço dela com força demais e o soltou. Ela agarra o braço vermelho com olhos em lágrimas. Ele percebe a estranheza duma jovem que não parecia imigrante, andar naquele local, àquela hora da noite. Suaviza a voz quando faz a pergunta pela segunda vez. Leia Mais.

O QUE?

Olhos, os olhos seus, o que eles vêem? Vêem as hélices dum velho ventilador de teto passeando vagarosamente enquanto o computador anuncia o desaparecimento de Edgar, o primeiro mistério em anos que merecia destaque no telejornal. Será que a polícia e todo o equipamento não dava conta de descobrir o que aconteceu com o pobre homem, foi o que a apresentadora mais ou menos pergunta. Seele, eu, sente, sinto. Deveria sair a rua, pelas ruas movimentadas do mercado popular a procura de notícias de um dos amigos estranhos de Edgar. Não. Os olhos cismavam em ficar preguiçosamente pousados na hélice a girar mecanicamente, a pensar desconexadamente nesta língua que perde. Leia Mais.

Deprimida com o desaparecimento de Edgar, resolve passar pelo mercado. “Alguém lá certamente tem notícias dele”. Seele certamente não era uma frequentadora do local e nem era porque gostava ou não gostava, simplesmente não tinha o perfil falador frequentemente associado aos que dali eram. Não sendo propriamente estrangeira, também não era citadina. Talvez por isso era o tipo de imigrante mais solitário que existe, aquele que sendo dali já não o era, já que outros tomaram o lugar como o seu e o transformaram. Sobrava a ela apenas a sua língua que ela insistia em saber, mesmo sabendo que já dela não precisava. Dentro dela tinha certeza duma vida fora dos muros, mas era uma vida que de algum modo já não lembrava, se é que um dia fora dela. Leia Mais.

O chefe de Alexandre, um homem de idade indefinida apesar dos cabelos a rarearem, informou-o sobre o desaparecimento dum estudioso. Aproveitou, em seu tom de voz calmo e seco, para dizer que o contacto que J. tinha dado provavelmente o levasse aos criminosos. A história parecia simples: pesquisador de línguas é morto por elemento que frequentava o grupo. Alexandre aproveitou para perguntar ao seu chefe o último local onde a cidade vira o homem. Entretanto, soube perplexo que estas informações não estavam disponíveis. De cara, achou muito estranho o comunicado dum desaparecimento. Com todos conectados com a cidade, a probabilidade disto acontecer era de tal modo impossível que somente aconteceria se alguém escolhesse viver na clandestinidade, o que não fazia sentido nenhum, ainda mais a um pesquisador, elemento vital à cidade. Leia Mais.

Seele aguarda calmamente com os olhos enfiados num livro. O espaço empoeirado estava vazio. O último cliente que viera comprar jornal saiu há vinte minutos e quase podia imaginar que mais nenhum entraria, pelo menos com a intenção verdadeira de ler apenas jornais. Aquela livraria especializada em papéis vagos, era pano de fundo para encontrar livros que mais ninguém tinha. Livros originais, escritos pelos autores originais, não colagens de trechos assinadas por um copi que se dizia dono daquele trecho com aval de seguidores que espalhavam a sua “autoria”. O que isso tinha de rebelde? Leia Mais.

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