Não se sabe quando, mas de repente mergulhou profundo e descobriu que era difícil sair daquela vida besta, sem nada a fazer além de pensar profundamente nas coisas. Pensava se ela existia porque se estava tão imersa, tão despercebida de tudo e de si própria, como alguém poderia dizer que ela é. Não, ela não existe. E se um dia alguém a viu, era apenas um sonho, imagens bruxuleantes de alguém que bem poderia existir, mas mergulhou na inexistência. Ela mergulhara. Amava o tipo de vida que tinha. E até queria sair, comunicar-se, mas, sentia-se sem forças para o golpe de fôlego que a traria de volta. Então, preferia amar sua vida na sua inexistência. E num preguiçar vê o azul profundo. Era o céu? Era o mar? Fecha os olhos e espera que tenha coragem. E tem. Às vezes duvidava que aquilo que sentia era coragem. Sempre aprendeu que coragem era encarar as coisas e ao esconder-se do mundo… Mas não a encarava, tão de perto! A coragem estava em se encarar com lente de aumento. Amou-se no nada. Nenhum vestido lindo. Nenhum cabelo bem penteado e bem cortado. Nenhum corpo liso de peso ideal. Tinha apenas o nada que estava dentro dela. E amou-se. E descobriu que era uma felicidade que queria esticar a elasticidade máxima. Não, talvez faria bem desmarcar a viagem e esperar que surgisse dela, ela mesma. Amar-se assim, era um presente. Não precisava de nada e tinha tudo. Nunca esteve tão feliz.
amor próprio
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