
eus i
Ela sorri à amiga porque ‘o que eu faço’ não era a pergunta a ser feita, mas ‘por que temos que fazer’. Desde que ele tinha dito aquelas palavras parecia que saíra da caverna. Então, ela pensava, não comandava nada, todo seu cérebro apenas codificava as ordens dadas por ele. Ela estava tão mal, sentiu-se presa pelo inexorável destino. Por que ele havia dito aquilo enquanto o que ela queria era viver uma vida normal, aquela anterior onde não pensava em nada daquilo. Não! Aquela liberdade doía-lhe e desejava mesmo sua antiga dependência, porque ela não sabia o que fazer com esta liberdade. Leia Mais.
eus ii
Ele fazia uma pergunta atrás da outra, questionava aquele mundo. Ela sentia toda a raiva contida naquela carta e queria ajudar, mas não sabia como. Ela tinha as mesmas questões sobre este mundo que a abandonara. Queria poder dizer: não fique assim, as coisas vão mudar. Mas se ela mesmo não acreditava nestas palavras. Não fique triste, coragem: por que não falava isso para si mesma nestas situações. Leia Mais.
eus iii
Feliz, era isso o que era? Porque naquele momento podia até patinar por entre as nuvens e não tinha nenhum motivo além de que ela sabia. Não sabia o quê sabia, mas sabia. Era um tipo de conhecimento de vida silencioso juntado aos poucos de coisas catadas ao chão. Descobriu. O quê? Percebia que tinha descoberto, misteriosa aventureira, inteligente, mais rápida e veloz que a esfinge. E era um prêmio ver o mostro indo embora, acuado, de rabo entre as pernas. Tinha ele rabo? Leia Mais.
eus iv
E ele respondeu desconexo como quando perguntamos a alguém o que quer e recebemos por resposta, azul. Fez um pedido que não podia aceitar, não vá, porque uma distância a mais para ele mudaria tudo. As palavras tão despropositadas, fora de hora; repentinamente, não quero que você vá. Sem ação e sem entender o porquê busca razão e justificativa para as palavras porque a dele, dita em tom indefinido, parecia a de uma criança que não tem argumentos ou se esconde numa tentativa de driblar a si mesma. Por que? Leia Mais.
eus v (ou eus passados)
Estava muda, perdeu as palavras. E não foi por uma impossibilidade física, a voz continuava muito boa. Ela nem estava rouca como da última vez. Estava muda, perdeu as palavras. Seu cérebro esvaziou-se num misto de dor e serenidade que ela nunca sentira porque sempre misturara dor à tristeza, à morte do corpo e dos sentimentos. A dor, início dum fim. Agora a ver claramente, transformação serena para outra coisa, mas o quê? Leia Mais.
eus vi (ou eus passados ii)
E ela descobriu um ódio profundo por ele. Conscientemente sabia que iria passar, mas por que ainda não passou, ela perguntava-se. Por que ele insistia em envenená-la contra ele mesmo. O coração daquela mulher caminhava cheio de mágoas e ela gostaria que ele soubesse disso, mesmo percebendo que a culpa não era dele. E porque ela teimava em contar-se se ele nem ao menos mostrava algum interesse em ouvi-la, nunca pareceu muito interessado nela ou apenas o pouco para mantê-la na rede. Fora ela quem sempre se rastejou, implorando por sua atenção. Leia Mais.