
introdução
Esqueçam nossos livros. Eles, ao ouvirem esta história, irão se jogar na fogueira acesa no meio da tribo. Proteja-os, mas atentem os ouvidos para ouvirem esta história. A história da reinvenção do descobrimento, o Descobrimento de Portugal. A partir deste momento, eu, índia Iratembé, contarei a história deste descobrimento que aconteceu de modo lento e gradual. Alguns certamente protestarão, como um descobrimento pode ser lento; descobre-se e pronto. Acalme-se, pessoas de minha tribo. Uma coisa de cada vez. Leia Mais.
sinais de fumaça
Tudo começou em outubro de 1999 quando eu, índia Iratembé, movida pelo ímpeto, resolvi tentar emitir sozinha um sinal de fumaça. Se todos na tribo conseguiam, porque não eu, pensei. Preparei uma fogueira e, usando de nossa rede, consegui fazer a fumaça. Até aquele momento, fique bem claro, não existia a idéia da descoberta de uma terra, existia a vontade de conhecer o mundo através das pessoas que nele habitam. E sobre esta terra, eu até sabia de sua existência, como eu sei que há uma floresta lá do outro lado, mas nunca fui lá. Leia Mais.
até o embarque
Continuei a espera como fui aconselhada pela minha mãe, mas o “nativo” parecia sem intenção de querer descobrir a nossa terra. Disse que estava muito ocupado e me convidou a conhecê-la. Na terra dele provavelmente é muito fácil as pessoas se locomoverem, mas na minha não. Na terra dele provavelmente são as mulheres que se locomovem, mas na minha não. Na terra dele ninguém parecia disposto a descobrir coisa alguma, mas na minha… Leia Mais.
a jornada e a chegada
Para me acalmar dos perigos encontrados no caminho, uma poderosa “caixa de guardar música”, com meus sons favoritos, tocava. Eu tentava afastar os pensamentos dos perigos cantarolando. Não era medo do “grande azul” o que eu tinha, era medo de me perder nesta imensidão, era medo de não consegui chegar, era medo de não consegui o encontrar, era medo de não deixarem eu entrar e, era um pavor do bicho grande dele, de mim, não gostar. Leia Mais.
o primeiro encontro
Chegar foi fácil, rapidamente concluí. Logo no porto tive que explicar o que estava fazendo ali. Que recepção era esta? Eu acreditava que seria recebida de braços abertos, afinal era assim que recebíamos os forasteiros e eles com tantas perguntas. Seria comum este tipo de tratamento àqueles que estavam cansados de tanta viagem? Por fim libertaram-me e pude ir a … Será que ele me aguardava depois te tanto tempo de espera? Leia Mais.
o descobrimento
A cidade era enorme. Grandes prédios e praças e ruas, tudo tão antigo que me sentia pequena, quase insignificante. Continuávamos a conversar, nenhum dizia exatamente o que queria, e cada um se fazia a mesma pergunta, será que o outro gostou de mim? Ninguém arriscava a perguntar. Cada um tinha medo da resposta. E índia Iratembé que tinha arriscado a atravessar o “grande azul” e seus perigos estava muda diante de um nativo. Leia Mais.
a carta
Querida mãe,
Já que muitos falaram sobre o achamento desta terra e como estou sem tempo, não espere minuciosidades. Serei breve.
A viagem foi cansativa e perigosa, mas mal cheguei percebi que o maior perigo e esta terra e todos os sentimentos que nela descobri. Sobre ela, podemos dizer que é pequena, mas bela. Mui antiga – eles dizem, mas se o mundo foi feito a mesma hora como eles proclamam… Leia Mais.
um novo estranho
Cada pedaço, cada esquina, cada pessoa, passou tudo tão rápido. Enfim, um dia, infelizmente, o tempo acabou. Ainda tinha que terminar meus estudos com os pajés. Há tempos estava ali. O tempo acabara. A minha tribo estava saudosa de mim. E eu, apesar de saudosa dela, preferia ficar, mas nem sempre uma índia devia fazer o que gostaria. O necessário era voltar. Leia Mais.
rareados sinais
Depois de muitas idas e vindas entre terras, chegou a calmaria aos rios. O tempo passou e nada mudara. Minha mãe estava parcialmente certa quando dizia que o tempo acabava afastando se nada fosse feito. O tempo fez o sentimento acalmar-se. Os acontecimentos acabaram mantendo-nos em nossas terras. Mesmo assim, os sinais de fumaça eram freqüentes. A esperança era mantida, todo ano testada e mantida. Nada mudava, cada um em seu lugar. Porém, um dia, até os sinais foram também desfiando. E passado tempos, a terra descoberta acabou sendo escondida pelas brumas e à princesa, não foi dada a chave para poder por elas passar. O príncipe resolveu esquecer. Os contatos acabaram. De repente índia Iratembé não mais recebia notícias. Leia Mais.
uma decisão

Um dia índia Iratembé resolveu partir, depois de muito pensar, e descobrir novos desafios. Nada ali em sua terra parecia ter graça e nada parecia ser esquecido do outro lado da bruma que encobria o outro lado do “grande rio”. Marcou a data. E quando estava de partida, um sinal de fumaça foi recebido. Na curiosidade foi respondido. Nele, seu já mal afastado príncipe contava seus percalços durante os últimos tempos que o tinha feito não mais enviar sinais. Pediu mais uma chance, agora seria diferente. Será? A dúvida estava instalada. Leia Mais.
terra sam
E eu, índia Iratembé, parti para terras altas mais a leste. Acabei descobrindo a terra sam. Terra que prometia muito, terra a princípio calorosa. Prometia sonhos e conhecimentos, a nova terra cheia de tantas tribos. Lá, meu “guarani” continuava a emitir sinais e eles ficavam mais freqüentes na falta de sinais de minha tribo. Era ele quem me aproximava de mim mesma quando todo o frio chegou prometendo toda a transformação. Diante deste grande desafio, pensei em voltar a minha terra, mas a vontade de conhecer e vencer o desafio – e ser coroada mais uma vez – era maior. Mesmo assim, em alguns dias, eram aqueles sinais a única felicidade. Leia Mais.
uma nova visita
Em 31 de janeiro de 2004 cheguei mais uma vez a terra descoberta. Mais uma vez a mesma angústia, a mesma ansiedade. Tanta coisa mudara, eu mesmo já não era a mesma. E tão logo cheguei avistei meu “guarani” e parecia que a distância não existira. Como pudera ficar tanto tempo longe da terra que era a minha própria. Terra que fora escolhida de tanto matutar e um dia ela ao coração chegar. Leia Mais.
o pedido
E o “guarani” fez a proposta, pediu-me para ficar. Índia Iratembé desejava muito isso, mas não conseguia esquecer que já assumira um compromisso com pessoas geladas e que deveria retornar para lá e cumprir o tempo combinado. Contou ao príncipe sua promessa a estas pessoas. Ele entendeu e foi tudo foi combinado. Leia Mais.
o retorno a tribo
E finalmente, depois de muitos percalços, o tempo em terra sam terminou e índia Iratembé estaria de volta a sua terra. Sua tribo já sabia que chegaria para uma rápida despedida antes de partir de novo, daquela vez definitivamente. Porém, quis os “grandes deuses” mais uma vez que o tão aguardado não chegasse ainda. Teria que ficar mais tempo do que o planejado com minha tribo. Meu “guarani” e os seus enfrentavam grandes vendavais. Seria arriscado atravessar o “grande azul” em época tão traiçoeira. Leia Mais.
vencendo novamente o "grande rio"

E finalmente o príncipe lança seu sinal de fumaça. Índia iratembé deixa seus lanços em finas cambraias; estava preparada para partir para a terra há muito tempo descoberta. Preparada estava para embarcar pela última vez no seu barco. Sabia que enfrentaria outros perigos. Na dificuldade de transformar a terra, transforma-se e transformar-se-á. Agora desembarcada, finalmente junta de seu guarani, parte para enfrentar seu grande desafio entre todos encarados desde então, fazer daquela a terra dela. Ler Mais.
o grande monstro interno
A felicidade parecia eterna, índia iratembé estava transbordante de alegria por estar, enfim, com seu guarani. Contudo, algo dentro dela sabia que algo não estava bem. Sabia reconhecer o “grande monstro interno”, aquele que devora os “guaranis” antes do grande dia. Mesmo que índia iratembé dissesse que era uma questão de tempo, que as dúvidas se dissipariam, o “guarani” não a ouvia. Então o “grande monstro interno” berrou de dentro do “guarani”: “Não a quero mais aqui”. E índia iratembé desolada pela dor pegou sua canoa alada disposta a enfrentar o “grande rio” de volta e definitivamente. Ler Mais.
conhecendo a cidade-luz enquanto pensa no seu retorno
Um dia, ainda em sua terra, rodeada pelo seu povo, índia iratembé ouviu que a “cidade da luz” era a mais romântica de todas as cidades. Porém, índia iratembé a conheceu com coração aos pedaços. Apesar disso aproveitou as luzes e a companhia de sua “fadas das arábias”, mas infelizmente o tempo de voltar tinha chegado, mas voltar para onde é que nossa indiazinha se perguntava. Ler Mais.
um novo presente de amor
Na volta a casa, cheia de tristeza, a nossa índia destrói sua canoa alada. Sem dinheiro, sem canoa nunca mais poderia sair de sua terra. Nunca mais teria ideíasl Entretanto, tão logo chega em sua terra, recebe um sinal de fumaça de arrependimento. Seu guarani tinha destruído o monstro, mas era agora tarde demais. Leia Mais.