sphinx
pequena arteira
Ela caminha de um lado a outro com aquele sorriso moleque, próprio da idade, fazendo poses para o espelho. Entre gargalhadas e palavras entrecortadas ao ar, ela se esconde quando percebe estar sendo observada. E o show parou, pelo menos por enquanto. Doce, um tanto quanto medrosa e muito teimosa, este serzinho que cresce velozmente e deixa saudades quando parte. Será que continuarás assim minha pequena? Leia Mais.

o homem que quero amar
A chuva cai aos turbilhões e um cheiro forte de terra molhada invade a casa. Lembras o dia em que disse que este era meu cheiro favorito? Escutavas-me? Agora que meu amor acabou, restou pensar sobre como ele era. Sobre isso eu já pensei, amor cheio de impossibilidades, era o que dizias. Fui eu quem não acreditou. Eu sei sou deveras romântica e ingênua. A realidade tão dura, como acreditar nela. Leia Mais.

choros de criança
Ainda tenho tempo de ir a janela e ver um dos gêmeos acenando alegremente. Num minuto a sala está cheia e um aluno novo adentra o recinto. Ele não chora agora, mas chorará uma hora depois e gritos desesperados clamarão pela mãe. Daqui a pouco ele chorará novamente e sua amiguinha abraça-se a mim, as lágrimas correm ao ver que nada pode fazer pelo seu amiguinho, solidariedade. Leia Mais.

o presente que eu te dou
Céu azul e mar calminho. Grãos de areia como cristal, árvores a beira-mar, árvores muitas árvores, entre elas muitos coqueiros de água docinha. A praia, nenhum peixinho se atreve a chegar (eu sei que tens medo de peixinhos), mas as pedras ao canto formam uma piscina onde os peixes ficam para serem olhados por ti. E será um sol de cinco horas, tardinha, e podes ficar no mar sem gritarmos a toda hora para vires ficar sob o guarda-sol. E sopra umabrisa, te refrescas, não tens frio. Leia Mais.

cores
Um pedaço pequenino de massinha azul que o menino corta em dois pedaços. O maior ele esfrega com as mãos fazendo algo semelhante a uma cobra e coloca a parte. Com o restante faz o mesmo. Coloca a maior na vertical e a menor, um pouco acima do centro, na horizontal, formando algo parecido a uma cruz. Está pronto o seu brinquedo que voa pelo espaço com auxílio de suas pequeninas mãos. Leia Mais.

imponderado
Ela está lá, do outro lado e olha para mim. Uma branca de olhos negros semicerrados com metade do rosto coberto pelos cabelos ondulados a altura dos ombros em completo desalinho. Veste uma camiseta azul, creio ser sua cor favorita. O nariz largo e os lábios grossos remetem uma descendência africana, os olhos longos lembram um pouco as índias, mistura. Leia Mais.

sonhos em baixa velocidade
Parada, olhando de um lado a outro. Minha mãe, atrás, assustando-me com o mundo à volta; não faz isso, não faz aquilo. Meu padrasto chamando-me a atenção. Estradas, de um lado a outro estradas e não posso nem olhar as vaquinhas no campo ao lado, nem aquele lado com o belo pôr-de-sol ao fundo; somente a estrada, linhas tracejadas ou retas, placas, ande a direita, embreagem, acelerador, freio, seta para direita, seta para esquerda. O rádio? Leia Mais.

viagem
Um mundo um tanto quanto cinza e a vida toda lá fora em movimento; cá estamos todos a espera da chegada. Aonde chegaremos? E olhamos lá fora, pela janela, na esperança que o destino chegue mais rápido. Meu pensamento não quer pensar, ele está com preguiça de se levantar depois de um sono tão profundo. É duro acordar e ver que o mundo é tudo novidade*, mas caminho, sim caminho… Os letreiros acesos brilham nesta noite nublada, o calor passou; agora, aquele homem olhando-me fixamente enquanto devoro um bombom. Leia Mais.

e… um fim de semana
E my rose me chama para ir a um show, um convite? Vejo como uma intimação em razão do abandono. E entre um pesar e uma felicidade estranhas, arrumo-me e saio de casa, mostrando ao mundo meu rosto não sobrevivente às orgias gastronômicas e ao sol. Com coragem vou. Fácil seguir sem um reflexo que posso chamar meu, caminho na ignorância de um corpo, um rosto. E entre as ruas escuras de bairros pelos quais não visitara em momento algum de minha vida, o ônibus viaja. Leia Mais.

reticências
Um dia doce de outono e Cristal liga logo cedo para irmos a praia. Ver o mar… E eu de frente a ele transbordante, ocupando todos os espaços, meus sentimentos. Enfurecido como alguém confuso que não sabe o que fazer, eu. O mar e eu… Ligar? Será que eu ligo para ele dizendo que já pensei… Paciência, virtude… Leia Mais.

felicidade
Leve… como pluma-brisa… Andando na ponta dos pés e desfilando pela casa e seus cômodos, patinando pelas ruas com olhos fechados e braços abertos… E o ar, este ar, que ar… parece ele todo perfume, o dele… Embriaguez, parece felicidade sem nenhum motivo além da vida caminhando, normal, nos eixos. Embriaguez, sabor doce de felicidade… Leia Mais.

mami
Uma reclamação minha, daquelas sobre as coisas, e com sagacidade ela transforma-me numa piada. Com seu jeito bem humorado, todas as minhas falas são suavizadas. E como resistir a seu mau gosto para programas. Eu sei, o mau gosto é dos programadores; então desligue essa tv enquanto bordas, “pra quê? Gosto de ouvir o barulhinho”, mesmo que não entendas? Leia Mais.

matemática
Hoje foi um dia estranho, um dia matemático. Envolta por números e, as palavras, apenas explicavam fenômenos físicos, mas toda a resolução está na matemática. Eu sou boa com números e às vezes penso que seria melhor s’eu tivesse me dedicado a eles, acontece que escolhi as letras. Não sei se foi uma boa escolha, foi uma boa escolha pra mim. Leia Mais.

love
A cabeça vaga, o dia lindo lá fora e, agora que minha alma voltou enchendo-me tanto que pareço mais que eu mesma, tudo que penso é nesta distância física que nos separa. É que o domingo está preguiçoso depois de um sábado dançante onde pouco me encontrei com os outros. Senti-me, entre aquelas pessoas, inadequada. Eu rainha de um outro jogo de tabuleiro, mas assumindo aquele como meu. E tem dias que sou rainha mixe neste novo mundo e, em outros, poderosa; ontem, diferente apenas. Leia Mais.

bonitos como dias de outono
A luz cheia branca ao céu emoldura a noite fresca. O dia foi bonito como são bonitos os dias de outono com a doce neblina a encobrir a cidade – como açúcar sobre o pão – e o vento cismando em levantar os cabelos. Lá embaixo a cidade não percebe quem vai, quem vem. Será que ela sentirá saudades minhas? Sentirei dela. Leia Mais.

fuga
Cheguei sem avisar, desisti de tudo e resolvi voltar. A casa estava exatamente como a deixara, e tinha aquele cheiro de comida percorrendo-a, os pratos secando e as cores espalhadas. Minha mãe abriu um sorriso lindo e levantou-se para me abraçar porque era boa a surpresa de meu retorno. Minha irmã estava fazendo uma visita e pude abraçá-la junto com Bê e meu arteiro que não precisa mais saudar cada avião dizendo, ti-a. E é tão bom abraçá-los… Leia Mais.

rascunho
Espera ansiosa pela hora do encontro. Sem nada a fazer, arruma velhos papéis, passado. Entre o monte de contas pagas, boletos bancários e anotações encontra um velho papel, rascunho de uma carta a meses enviada e nunca exatamente respondida. O que poderia haver em velhas linhas escritas se não tivesse impressa em sangue dum ser exposto. Leia Mais.

carta à estranha
Como vais nesta vida que não sei onde levas? Na que me deste, tudo bem. Quer dizer, ainda não a sinto como minha. Sempre penso nesta vida emprestada nas sigo vivendo-a, da melhor maneira que posso. É… é uma vida grandiosa pelo tamanho das coisas que a cerca, mas de pequena importância. Porém penso na real importância da minha verdadeira vida para o mundo, não encontro, seguimos empatadas. Leia Mais.

minh’alma
Minha alma vai estranha, não pertencendo a lugar algum. Parece que as horas aumentadas, alargou a nossa distância e eu, de não agüentar, desisti. Abandonei-me. As palavras adentram-me sem significado algum, enquanto sua voz fala de seus problemas. Não estando lá, coloquei uma barreira. Afastei-me. Desenchi-me de tudo. Leia Mais.

conto de dor
“E ele já provou?” Com esta pergunta todas sua certeza cai e ela já não sabe se ele a ama ou apenas diz. “Será que confiava demais? Será que preciso mesmo de grandes provas?”, interroga-se. As perguntas ficam sem respostas e o coração vai passeando. Lágrimas chegam a seus olhos, naquele momento ela estava certa que fora enganada por ela mesma. Deu-se conta dos sacrifícios feitos por amor e ele, o que fizera além de promessas. Era tarde, fora ela a culpada e a questão a rodeava. Leia Mais.

castelos de areia
A chuva cai tranqüilamente e o vento sopra as últimas folhas avermelhadas ao longe. Uma névoa encobre as cores das árvores que enfeitam a paisagem. Eu sigo protegida do frio, não dos meus pensamentos. Eu, diferente porque ninguém passa impunimente os anos sem mudar. É, tinhas razão, castelos de areia não ficam em pé muito tempo. Leia Mais.

fantasmas
Palavras sinceras, mas confusas, rejeitadas, recebidas de mal-grado. Sei que dói ouvi-las; sei que demorei muito a dizê-las; eu sei. Sei que devia ter esperado que elas fossem claras; sei que me expressei mal; eu sei. Sei que estás com ciúmes; sei que não era o melhor momento; eu sei. Porém, falei-as e agora aguardo um telefonema para clareá-las. Leia Mais.

s’eu pudesse…
Ah, s’eu pudesse…
S’eu pudesse abraçaria-te,
E sentirás-te abraçada.

Ah, s’eu pudesse… Leia Mais.

espera
Depois duma semana recusada em várias esferas, sobreviveu e era feliz. Agora resta ansiedade toda misturada a complexos sentimentos. Não consegue respirar somente de imaginar o que o futuro reservará. O dia está lindo lá fora e ela a pensar. Seu coração dói não sobrevivendo a este emaranhado de emoções; ela toda complexa. Corpo? Como lembrar desta dor se a alma dói em suspenso aguardando os segundos. Duas semanas e ver seu rosto. Leia Mais.

as horas
Uma neblina tão densa que nada posso ver; nada que esteja a mais de dez metros. O menino se perde por entre as nuvens. Eu me perco por entre as nuvens. Logo seremos achados. Quando? Até quando viverei perdida de mim mesma? Não sei, ultimamente vivo para ver as horas passarem. As horas matutinas passam e enfim estou sozinha até… http://deciframeoutedevoro.wordpress.com/2004/01/23/284/.

"Eu te amo"
Amo-te. A palavra apareceu em um presente sem cartão. A frase estava lá, estampada na capa. Parece que ele adivinhou que precisava escutar isso. Apesar de saber do sentimento, pensava em dificuldades e palavras ásperas. Leia Mais.

a revelação
Perdoe-me as apressadas linhas, mas preciso te revelar um grande segredo. Por enquanto não contes a ninguém. Não sei ainda como uma pessoa normal reagiria a verdade. Não sei nem como reagirás. Contarei a ti assim mesmo; somente quando acordares teremos nossas vidas de volta. Leia Mais.

não tem importância
E o mundo pode cair… que eu nem dou bola, desde que eu e ele continuem no mundo. E hoje poderiam até dizer, que droga de vida, (o Bush ganhou) e eu nem daria bola. É que o sol está forte e vejo apenas os passarinhos voando. Também ando no calor dos trintas graus. Eu juro que prefiro os dias chuvosos, mas hoje para mim não tem a menor importância. Leia Mais.

estas coisas estranhas…
Coisas estranhas estas que sinto. Como tempo de inverno, em pleno verão. Como descobrir que aquela música já não me toca mais e outras, outras permanecem, mas de outro modo. Coisas estranhas como gostar de tempo chuvoso como eu gosto. Como ler coisas antigas e perceber que já não são minhas aquelas palavras. A remetente morreu e renasceu milhares de vezes. Leia Mais.

senso
não, todas estas mudanças não passam de ilusões. eu sou e pronto. e todos estes novos eus contrários ao primeiro, e ao mesmo tempo, igual são todos eu. nada em mim muda. Leia Mais.

contra-senso
quem é esta se não meu outro eu? esta que não sei quem é. esta que me entontece sendo o meu contrário e eu. Leia Mais.

amar-se
Não se sabe quando, mas de repente mergulhou profundo e descobriu que era difícil sair daquela vida besta, sem nada a fazer além de pensar profundamente nas coisas. Pensava se ela existia porque se estava tão imersa, tão despercebida de tudo e de si própria, como alguém poderia dizer que ela é. Não, ela não existe. E se um dia alguém a viu, era apenas um sonho, imagens bruxuleantes de alguém que bem poderia existir, mas mergulhou na inexistência. Ela mergulhara. Amava o tipo de vida que tinha. Leia Mais.

deste baile me retiro
Eu sou até uma pessoa paciente, mas Sicrana insiste em falar sobre Beltrano, seu marido, que tem uma queda para desaparecer em bares sem dar qualquer satisfação. Ela diz que fica preocupada, com a violência de nossos dias. A cada desaparecimento ela, ansiosa, se pergunta o que aconteceu com ele. Passado às horas, no fim do dia, ele sempre aparece um tanto quanto cambaleante, mas sem a intenção de explicações e com toda, para a briga. Leia Mais.

embriaguez
Cheiro de minha infância num sítio em terras nordestinas, e o cheiro estava bem aqui em Portimão numa das minhas caminhadas matinais – na verdade a primeira delas. Não consigo explicar o cheiro, apenas sei que me embriaguei e mesmo andando pela praia vazia podia senti-lo. Respirei profundo. Garrafadas de oxigénio com aquele cheiro jogado no fundo de mim, perfume de sítio de vovô. Leia Mais.

um ponto único
A verdade é um ponto ao lado dos diversos pontos de uma reta. Se escolhemos um ponto qualquer entre os outros pontos existentes, podemos nos mover para quaisquer outros pontos desta reta infinita, melhorando o que nada mais é que uma história inventada. A partir do momento que escolhemos o ponto único da verdade não mais escolhemos nenhum outro. A verdade é ponto único. E por isso, por mais absurda que seja uma história, nada mais é que aquele absurdo perfeitamente capaz de ser verdade, porque o é. Leia Mais.

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